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Os números da economia compartilhada nos Estados Unidos

A economia compartilhada tem despertado o interesse de vários pesquisadores aqui no Brasil e esse tema vem sendo abordado com maior frequência em pesquisas acadêmicas. Eu percebo isso pelo número de leitores que entram em contato comigo para terem mais fontes de pesquisas, algo que ainda não é tão simples de se encontrar. Já fiz um post aqui no blog sobre uma pesquisa da Market Analysis que abordava a relação entre o consumo colaborativo e o consumidor brasileiro. Hoje gostaria de trazer uma nova pesquisa, realizada pela empresa de consultoria PwC, que traz dados sobre o mercado americano.

Metodologia da pesquisa

Pesquisa PwC sobre Economia Compartilhada
Fonte: Pesquisa PwC

A pesquisa foi feita em dezembro de 2014 e os resultados divulgados no ano seguinte. A pesquisa foi aplicada de forma online e primeiramente era identificado se a pessoa entrevistada tinha algum conhecimento sobre a economia do compartilhamento. Caso a resposta fosse negativa, a pesquisa era encerrada. Estima-se que, nos Estados Unidos, 56% da população ainda não tem nenhum tipo de familiaridade com a economia compartilhada. Entre os 44% restantes, foram feitas perguntas que revelaram dados muito interessantes.

Os números do mercado americano

Entre todos os americanos, apenas 19% já utilizaram de fato algum tipo de serviço compartilhado, sejam eles relacionados à mídia (9%), transporte (8%), hospedagem e alimentação (6%) ou varejo (2%). Além disso, dentre aqueles familiarizados com as ideias da economia compartilhada, vários benefícios são percebidos. Economia é o benefício mais percebido pelos entrevistados, com 86%. Logo na sequência aparece a conveniência e eficiência nas atividades diárias com 83%, seguido do aumento da sensação de comunidade e proximidade entre as pessoas (78%) e de benefícios para o meio ambiente (76%). Dois dados que me chamaram a atenção nessa etapa da pesquisa foram o fato de 89% das pessoas colocarem a confiança como pilar fundamental para o funcionamento das relações criadas pelos empreendimentos, e também como elas percebem ser mais divertido engajar em uma relação de consumo com empresas da economia colaborativa (63%).

Fonte: Pesquisa PwC
Fonte: Pesquisa PwC

 

Leia também: As falhas da economia compartilhada

Muito bacana ver que aquela relação antiga de que uma empresa só quer o dinheiro dos clientes e não se importa com as pessoas em si está caindo por terra com a economia compartilhada. Agora, a confiança e o bem estar da comunidade estáo sendo fortalecidos como pilares fundamentais para o funcionamento das novas relações de consumo. Assim, criaremos o que nas redes sociais chamam de network effect. Quanto mais pessoas são ativas no facebook, por exemplo, melhor será que uma nova pessoa se cadastre. Da mesma forma, quanto mais pessoas estiverem compartilhando e avaliando essas experiências, mais confiável será o sistema para uma nova pessoa entrar na comunidade.

Fonte: Pesquisa PwC
Fonte: Pesquisa PwC

Qual o perfil dessas pessoas?

Daqueles que já tiveram alguma experiência com a economia do compartilhamento, 72% concordam que serão clientes pelos próximos 2 anos! Essas pessoas possuem um perfil bastante diverso, mas algumas características foram mais percebidas na pesquisa. Pessoas entre 18 e 24 anos, de classe média são os principais usuários. Já para aqueles que fornecem os bens ou serviços, o perfil não tem padrão e varia tanto para idade quanto para renda anual. Isso mostra que o dever de cuidar do meio ambiente, diminuir o desperdício e aproveitar melhor e com mais eficiência os nossos recursos não é somente uma necessidade financeira, mas também uma questão de cultura e ética.

Fonte: Pesquisa PwC
Fonte: Pesquisa PwC

 

Leia também: Os setores da economia compartilhada

Essas pessoas têm algumas preocupações também com a economia compartilhada. Setenta e dois por cento delas acreditam que falta consistência nas experiências com a economia compartilhada. Aqui eu concordo plenamente e acredito que possamos trazer isso para a realidade brasileira com um exemplo. Cada empresa tem o perfil de cada cliente e as avaliações também. Isso significa que se eu sou um excelente motorista na Blablacar com inúmeras avaliações positivas, de nada vale para quando eu quiser pegar um empréstimo no Biva. Você não carrega a sua reputação dentro da economia compartilhada e isso prejudica a experiência, pois dificulta o primeiro contato com um novo serviço. Por fim, 69% afirmaram que não confiam em uma empresa antes de ela ser recomendada por alguém conhecido.

Fonte: Pesquisa PwC

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Fonte: Pesquisa PwC

É possível perceber através desta pesquisa que mesmo nos Estados Unidos, um mercado bastante maduro, a penetração da economia compartilhada ainda não é expressiva. Ainda existe um potencial de crescimento enorme por lá. Outra conclusão interessante é que o perfil das pessoas não necessariamente reflete a condição social de alguém que precisa diminuir os gastos ou ter uma renda extra, o que demonstra que os outros valores da economia compartilhada, de fato, são importantes e relevantes para elas.

 

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