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Como surgiu a economia do compartilhamento?

A economia do compartilhamento surgiu do que hoje nós percebemos que é insustentável: desperdício. E isso decorre tanto da subutilização de um produto quanto do simples fato de nós comprarmos coisas e nunca utilizarmos. Quem não tem um livro, bicicleta, ou uma peça de roupa que comprou ou ganhou que está parada há muito tempo, sem nem lembrar que existem? É estimado que os australianos gastam, em média, 9,99 bilhões de dólares todos os anos com coisas que eles simplesmente não usam, mais do que o próprio governo gasta com universidades e estradas no mesmo período. Há quem diga que o propósito da vida das pessoas é encontrar um lugar para guardar todas as coisas que são compradas. E nós brasileiros podemos pensar que isso é a realidade dos norte americanos, com aquelas imensas “self storage”, onde as pessoas alugam um espaço para guardar coisas que não couberam na garagem . Pois não se enganem, já existem muitas dessas empresas aqui no Brasil também!

Local para guardar objetos que não couberam na casa
Self storage

A vida que levamos hoje, parametrizada pelo consumo de bens como o alvo a ser atingido pelas pessoas, se mostra insustentável tanto para o meio ambiente quanto para os próprios consumidores. Vivemos insatisfeitos com aquilo que possuímos.

Nesse contexto surgem os primeiros traços da economia do compartilhamento, com empresas como a Ebay, um marketplace onde as pessoas poderiam vender esses objetos poucos utilizados para outras pessoas. E isso demonstra outro fator importantissímo na concepção desse consumo mais colaborativo, o relacionamento entre pessoas. Com isso, não podemos deixar de destacar o papel fundamental da internet no crescimento de empresas que atuam nesse setor. Sem o poder da rede em nos conectar uns com os outros, não seria possível criar uma comunidade de colaboração e consumo mais eficiente.

Além dos problemas destacados, o mundo se chocou com a crise de 2008, principalmente nos países europeus e os Estados Unidos. Podemos dizer que a crise foi um grande estopim. As pessoas perceberam que não era mais sustentável possuir tudo que se desejada. Na verdade, o que era mesmo o desejo das pessoas? Será que elas compravam uma furadeira só porque ela é bonita? Não há dúvidas de que elas compravam apenas para fazer um furo! Então por que guardar uma ferramenta cara para usar poucas vezes em um ano? Além disso, elas buscaram fontes alternativas de ganhar dinheiro em meio a crise, vendendo mais produtos que estavam ociosos em suas casas no Ebay ou alugando para outras pessoas. Nesse período a economia do compartilhamento se fortaleceu e foi alavancada pela tecnologia que está na palma das nossas mãos. A nova geração de empresas que nasceu nesse período pós crise hoje valem bilhões e são referência nos seus segmentos.

crise no mercado financeiro de 2008
A crise deu um impulso na economia do compartilhamento

O consumo colaborativo e a economia em torno desse conceito (economia do compartilhamento) se tornaram populares e hoje fazem parte das vidas das pessoas. O crescimento da interação entre as pessoas através da internet e a percepção de que o consumo através da posse de bens acarreta em ociosidade e mais consumo, está redefinindo a forma como nós fazemos o uso dos recursos que existem ao nosso redor. O Brasil ainda está engatinhando nesse sentido – podemos dizer que a nossa crise econômica está acontecendo agora! Se os nossos empreendedores seguirem os passos dos americanos e europeus, acredito que nossas futuras startups terão um excelente futuro.

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2 Comments

  1. Exemplo disso é a posse de imóvel de veraneio, normalemente utilizada somente durante algumas semanas do ano, ficando desocupada a maior parte do tempo.
    Não é hora de compartilhá-la?

    • Rodrigo Magri Rodrigo Magri

      Concordo com você Marcos. Todos os bens caros e com pouco uso são um prato cheio para a economia do compartilhamento!

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