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Má Notícia – Fleety encerra suas atividades

Logo nos primeiros dias de 2017 a Fleety anunciou o término da sua operação de car sharing. A primeira empresa no Brasil a crescer e se fortalecer com o compartilhamento de veículos Peer to Peer havia conquistado mais de 500 mil horas de locação de veículos e possuía uma operação em três cidades (Florianópolis, Curitiba e São Paulo). Contudo, o ritmo de crescimento não foi suficiente para justificar novos aportes de investidores na empresa sediada em Curitiba.

A empresa, em seu site, justifica o encerramento por questões externas, mas é fácil perceber que esse tipo de empreendimento necessita de grandes investimentos para prosperar no Brasil. Eu senti na pele isso com a minha empresa de car sharing em Florianópolis.

Primeiramente, existe um alto custo de ser o primeiro. Quem se lança na frente para um novo negócio deve gastar muito suor e recursos para que os primeiros clientes batam à sua porta. São os famosos “early evangelists”, ou os evangelizadores, aqueles que acreditam somente na sua ideia e estão dispostos a testá-la mesmo ainda não sendo “perfeita” ou pronta para lançar para o grande público. Esses primeiros clientes costumam ser requisitos básicos para que algum investidor te dê atenção.

Depois de conquistar esses clientes, os investidores chegam facilmente, certo? De forma alguma… O tempo para conseguir levantar um investimento anjo no Brasil costuma levar mais de 3 meses, e um investimento de capital de risco leva mais de 6 meses. Muita negociação e um CEO totalmente focado nessa árdua tarefa.

Quando você então se lança para o grande público aparecem novos custos. O principal é o de ensinar essas pessoas como a sua solução funciona. E isso não é simples. Coloque um vídeo explicativo de mais de 1 min e você não terá ninguém assistindo até o final.

Uma empresa como a Fleety possui altos custos de aquisição de clientes, porém o custo fixo se mantém relativamente constante conforme novos clientes se cadastram na plataforma. Essa matemática é complicada. No início você tem altos custos fixos e alto custo para conseguir ser notado pelos clientes. A ideia é, então, ao longo do tempo diluir esses custos fixos conforme vai ganhando escala e expandindo para novas cidades.

No meu entendimento, foi nesse ponto que a Fleety sofreu muito. A operação ainda estava muito baseada no financiamento dos investidores. A operação não tinha ganhado escala suficiente e necessitava de mais dinheiro para cobrir o prejuízo.

Mas por que estou falando tudo isso? Para que nós, comunidade que se interessa pela economia compartilhada, nos tornemos evangelizadores das novas startups. Vamos ajudar essas empresas testando os seus serviços, dando feedback e divulgando para amigos e familiares. Isso ajuda muito! Todas as dificuldades que mencionei acima são inerentes ao processo de inovar e abrir uma empresa. Entretanto, se mais pessoas demonstrarem interesse nas soluções e participarem do surgimentos de novas startups, o caminho se torna um pouco mais fácil.
Ah, a PegCar agora me parece ser a maior empresa de car sharing Peer to Peer no Brasil e tem uma novata entrando em São Paulo, a Moobie. Vamos conferir!

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