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O que é uberização?

Uberização é um termo que está na moda. Fazendo uma rápida pesquisa no google podemos verificar que revistas e jornais utilizam mais esse termo do que “Economia Compartilhada” para exemplificar inúmeros modelos de negócios disruptivos que estão sendo lançados e também para criticar as inovações que, na minha opinião, apenas desburocratizam a relação de oferta e demanda por um serviço.

A questão que me intriga muito é o fato de que a definição desse termo está à revelia de cada pessoa que escreve e não há uma convergência de opiniões sobre o que de fato é Uberização ou como “Uberizar” alguma coisa. Como a economia compartilhada ainda está sendo apresentada para as pessoas, é importante termos as ideias bem claras para que as discussões sejam sempre produtivas e não se desvirtuem por falta de entendimento do tema. Por isso, esse é o primeiro de uma série de três textos para explorarmos melhor tudo que vem sendo veiculado pela mídia, destrinchando os detalhes e sempre com bastante opinião!

Nas minhas leituras, eu encontrei quatro ideias diferentes para o que seria Uberização. Vamos analisar cada uma delas.

Leia também: Como surgiu a economia do compartilhamento

Economia Compartilhada

Entre todas as notícias que eu li até então, o uso de Uberização como sinônimo de Economia Compartilhada foi o que eu mais encontrei. Para muitos autores e jornalistas, todas as empresas que promovem o uso compartilhado de bens através de um serviço aderiram ao fenômeno da Uberização. Vejam, aqui a Uberização é uma criação de um modelo de negócios baseado no produto e em como ele é ofertado através de um serviço. Tudo o que discutimos aqui no blog se aplica a esse termo mais geral. Muitas vezes, nesses textos, Uberização e economia compartilhada sáo confundidas também com consumo colaborativo, mas nós já vimos aqui quais são as suas diferenças.

A pergunta que eu deixo aqui é a seguinte: Existem três diferentes setores da economia compartilhada, como a Rachel Botsman escreveu no seu livro “What’s mine is yours”. Será que é justo, por definição, colocar todos esses três segmentos sob o mesmo guarda-chuva de um modelo de negócios como o do Uber?

Modelos de negócios disruptivos

Outras fontes utilizam o termo Uberizar como uma ação de transformar a maneira como consumimos através da criação de modelos de negócios disruptivos. De fato, o Uber transformou o segmento de transporte, que há muito tempo não oferecia algo de novo para o consumidor. Da mesma forma, o Airbnb também transformou o segmento de hotelaria. Como Uberização (ou uberisation em inglês) é mais sonoro, o Airbnb perdeu de ter seu nome como um verbo (assim como aconteceu com “Google”). Dessa forma, aqui o termo se refere a uma transformação de uma empresa, modelo de negócio ou de todo um segmento.

A pergunta agora é: Você acha justo usar uma única empresa, que gera tanta polêmica no mundo e atua em um único segmento, como sinônimo de disrupção e transformação?

Leia também: Nem tudo é Uber Economia

Terceirização

Pessoas tendem a usar o termo de forma pejorativa para criticar a terceirização do trabalho (veja aqui um exemplo). Existem discussões e até projetos tramitando no Senado Federal que discutem essa questão de facilitar que as empresas contratem serviços de pessoas, através da terceirização, desde que a sua atividade não seja a atividade fim dessa empresa. Com isso, o prestador de serviço não estaria vinculado à empresa através de um contrato de CLT, permitindo com que ela se exima de pagar os “direitos” do trabalhador. Apesar de eu não conseguir enxergar a relação do modelo do Uber com o que tramita no Senado Federal sobre a terceirização, eu tento pensar como essas pessoas para entendê-las; Já que o Uber não contrata os motoristas, existe uma quebra da relação entre empresa e empregado, da mesma forma como acontece na terceirização. Assim, o elo mais “fraco”, o motorista, sofre por não ter seus direitos garantidos pelo regime da CLT, ao passo que a empresa lucra mais. Ainda por cima, sem o pagamento dos impostos e das contribuições sindicais, como o governo e os sindicatos conseguirão sobreviver? Para as pessoas que acreditam na gerência governamental em todos os meios de produção, a “falta” do pagamento de impostos é uma afronta ao modelo que eles acreditam como o ideal para a nação. Portanto, Uberizar é fortalecer o movimento de terceirizar o serviço do trabalhador.

Pergunta: Tem sentido misturar as disrupções de empresas inovadoras com o que se discute a respeito de terceirização nas empresas tradicionais?

Modelos de negócios P2P

Por fim, outra definição utilizada (veja aqui um exemplo de reportagem) para Uberização é como um modelo de negócios Peer to Peer (pessoa para pessoa). Como o Uber foi uma das primeiras empresas a crescer e chamar a atenção nesse modelo, eles ganharam a fama e hoje todos querem ser “o Uber da lavação de roupa” ou “o Uber dos brinquedos” e assim por diante. Vemos que aqui o termo é a ação de copiar um modelo de sucesso e aplicá-lo para um novo setor da economia.
Então, o que acharam dessas definições? Cada uma tem uma peculiaridade. Vimos que Uberizar por ser o mesmo que criar, transformar, copiar e até mesmo terceirizar. Você conhece outra definição que já foi utilizada? Comente aqui para expandirmos nossa discussão.

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