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Os desafios do compartilhamento de veículos Peer to Peer no Brasil

Em um post recente foram abordados os quatro modelos de compartilhamento de veículos, o Round Trip, Free Floating, One way e o Peer to Peer. Dentre os quatro modelos de negócios, o mais recente é o Peer to Peer (pessoas oferecem seus próprio carros para serem compartilhados) popularizado pela Turo (antiga RelayRides), empresa americana líder nesse mercado que iniciou suas operações em junho de 2010. No Brasil apenas uma empresa atua de forma expressiva com esse modelo, a Fleety. Sua operação iniciou em Curitiba e hoje já está expandindo para outras capitais do país.

Por ser uma proposta mais nova, o compartilhamento de veículos Peer to Peer tem vários desafios a serem superados, principalmente no Brasil, onde a cultura e a legislação não favorecem a inovação.

O primeiro grande desafio é a cultura do Brasileiro de desconfiança e de apego ao próprio veículo. Quando se pensa em oferecer um bem a uma pessoa desconhecida, como um carro, por exemplo,  tem-se a ideia de que algo de ruim irá acontecer. Analisando o perfil das pessoas que usufruem desse serviço hoje em dia, percebe-se que são os jovens que tem maior desapego e que confiam seus carros a outras pessoas, sendo eles maioria nas plataformas de P2P.

Outro desafio é o processo de retirada do veículo e da interação entre locatário e locador. Os parâmetros mais trabalhados pelas empresas para que os usuários tenham boas experiências com o serviço são a segurança, agilidade e facilidade no acesso ao veículo. Existem duas formas desse processo acontecer: via aplicativo e um sistema instalado no carro, ou sem tecnologia com a entrega da chave do carro pessoalmente. Nos Estados Unidos é muito comum os veículos estarem estacionados nas ruas, em frente as casas das pessoas ou de seus trabalhos, ou ainda em garagem de acesso público. Entretanto, aqui no Brasil os carros estão sempre muito bem guardados, dificultando o acesso a eles através de algum sistema ou aplicativo. Assim, por enquanto a melhor forma de compartilhar um carro de outra pessoa por aqui é quando os dois podem se encontrar para a entrega da chave.

A empresa americana Turo, uma das pioneiras do Peer to Peer acredita que a interação entre as pessoas seja um passo muito importante no processo de compartilhamento de um veículo, a medida que o contato “olho no olho” das pessoas traz mais pessoalidade e com isso mais segurança tanto para quem dirigi o carro, que poderá ter uma ideia melhor das condições reais do veículo e da pessoa que cuida dele, quanto para o dono do veículo que saberá quem de fato é a pessoa que irá dirigir seu carro. Já a sua concorrente Getaround acredita que a facilidade e agilidade de um processo automatizado com liberação do veículo via aplicativo sem a necessidade do contato entre quem quer dirigir e quem está compartilhando o veículo seja mais importante que o contato pessoal entre as partes. No final, quem escolhe é o consumidor e parece que tanto a RelayRides quanto a Getaround estão encontrando consumidores ávidos pelas suas soluções.

Existe uma startup alemã que está aproveitando esse novo mercado de compartilhamento de veículos para desenvolver tecnologias para facilitar esse acesso ao carro ao mesmo tempo que garante a segurança da operação. A Carzapp desenvolveu um hardware e um aplicativo específico para gerenciamento do acesso a veículos pensado para empresas e modelos de P2P e hoje já conta com diversos clientes. Foi uma excelente sacada antes mesmo do P2P crescer para além do mercado Americano.

É importante ressaltar que o crescimento abrupto nos EUA se deu com o surgimento de legislação específica quanto ao seguro dos veículos utilizados, algo que ainda pouco se vislumbra no Brasil. Por lá o diálogo com as seguradoras é mais fácil a medida que o conceito já é conhecido há mais tempo. Assim, esbarramos no terceiro grande desafio: seguro. As seguradoras brasileiras não estão acostumadas com esse tipo serviço e não há um caminho já conhecido para como lidar com seguro de veículos ofertados em plataformas de car sharing Peer to Peer.

Todos esses fatores de seguro, interação locador-locatário e disponibilização do veículo são os grande desafios atuais do modelo P2P no Brasil, além do apego cultural do brasilerio para com o seus carros. Entretanto, percebe-se um movimento favorável para que esses tipos de plataformas de marketplace crescam no Brasil alanvancas pelo Airbnb (aluguel de quartos e apartamentos) e o compartilhamento de veículos Peer to Peer está surfando nessa onde também. Em breve teremos esse serviço em mais cidades do Brasil e com novas empresas vislumbrando entrar no mercado brasileiro.

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