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A polêmica do Uber

Desde que o primeiro carro preto de luxo começou a rodar aqui no Brasil, a polêmica não parou mais. A única certeza até o momento é de que as pessoas anseiam por serviços de maior qualidade, provada através dos números de downloads do aplicativo Uber que crescem a cada dia.

Dúvidas não faltam. É ilegal? Adiciona carros nas ruas? E a dúvida que mais chama a atenção para as nossas discussões aqui no blog é: o Uber faz parte da economia do compartilhamento?

A primeira dúvida exposta cabe ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) responder, pois se não fere a concorrência leal entre empresas, um serviço que beneficia a população dificilmente será considerado ilegal. Entretanto é preciso destacar que o avanço tecnológico historicamente trouxe divergências e foi necessário adaptar o modelo tradicional para a novidade trazida. O exemplo mais clássico e sempre mencionado nas discussões “Uber” é o ludismo, movimento dos operários iniciado na Inglaterra contra a mecanização da força de trabalho. Naquela época os trabalhadores acreditavam que as máquinas os deixariam desempregados, o que a história iria mostrar que não aconteceria, pois com as novas máquinas e o desenvolvimento tecnológico a produtividade aumentou e novos empregos foram criados. Duzentos anos depois, os taxistas seguem na mesma linha de pensamento do movimento ludista, impedindo o cidadão de se locomover pela cidade por conta dos protestos e até destruindo veículos dos motoristas do Uber.

Para contextualizar melhor a questão da inovação, pode-se falar também da guerra que está sendo traçada entre as operadoras de telefonia móvel e o whatsapp. O aplicativo de mensagens que já conta com mais de 900 milhões de usuários está prejudicando o faturamento das empresas e elas estão fazendo fortes investidas para “regulamentar” o uso dessa tecnologia. A inovação tecnológica não vem, portanto, para prejudicar o trabalhador; pelo contrário, o desenvolvimento tecnológico pega as necessidades da população em geral e soluciona de forma criativa e inesperada.

A segunda grande dúvida é se o Uber adiciona mais carros nas ruas, absorvendo pessoas que utilizam o transporte público e não aqueles que possuem carros próprios. Segundo estudo da Universidade de Berkley, a resposta seria sim. Nesse estudo, que levou em conta também outras duas empresas com propostas semelhantes à do Uber e que operam apenas nos Estados Unidos, 44% das pessoas que utilizam esse tipo de serviço estariam substituindo formas mais sustentáveis de transporte como ônibus e bicicleta.

Os impactos de serviços como o do Uber.
Os impactos na mobilidade urbana de serviços como o do Uber

Entretanto, acredita-se que essa seja uma situação momentânea, pois quem já possui um carro tem uma inércia maior para perceber as vantagens de migrar para outras formas mais sustentáveis de transporte. Além disso, esse tipo de serviço não está disponível em qualquer esquina, não podendo ainda competir com a disponibilidade de um carro. Quanto mais soluções de mobilidade urbana sustentáveis forem surgindo, ao passo que o transporte público melhorar sua qualidade e preço, as pessoas perceberão que não vale a pena manter seus carros próprios na garagem, e então os trocarão pelo pool de serviços oferecidos, entre eles o Uber. Em breve serão muitas pessoas que venderão seus carros para utilizarem compartilhamento de veículos, transporte público, bicicleta e o próprio Uber.

Além de tudo isso, o Uber faz parte sim da economia do compartilhamento. Ao contrário do que muitos pensam, o serviço do Uber é similar ao do Airbnb, sendo um marketplace em que pessoas oferecem algum serviço a outras por uma certa quantia de dinheiro. E em ambos os serviços existe a intenção de diminuir uma ociosidade, seja ela do uso do carro ou do apartamento, eliminando a figura do mediador e diminuindo a burocracia. Tanto Uber quanto Airbnb não são empresas que têm no core business ofertar a atividade fim (aluguel de apartamentos ou transporte executivo). Como o próprio porta voz do Uber, Fabio Sabba, expôs, “O Uber resolveu um problema de assimetria de informação usando tecnologia”.

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