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Resposta a youpix: Não saia da Economia do Compartilhamento

Há um tempo me deparei com um texto de um blog que se propunha a falar sobre as falhas da economia colaborativa e dos malefícios causados por ela. O texto pode ser encontrado no link abaixo.

Texto: O que aprendi ao co-fundar uma start-up da “economia colaborativa” e porque saí dela.

Eu acredito que o debate de opiniões é válido, então fiz questão de ler todo o texto com calma para entender os argumentos do autor. Ao final da minha leitura, muito descontente com o que eu havia lido, percebi que o autor solicitava que os leitores deixassem uma resposta para que ele entendesse a opinião das pessoas, o que eu achei uma ótima atitude. Pois bem, estou aqui para escrever essa resposta e mostrar que eu não concordo a demonização feita em cima da economia do compartilhamento. Sim, demonização, pois chamar essa nova economia de “Escravidão 2.0” para mim soa como um exagero.

No começo do longo texto o autor descreve a empresa que fundara. Além disso faz também uma brevíssima descrição do que é a economia do compartilhamento, mas já suficiente para os leitores entenderem do que se trata: aproveitar a capacidade ociosa de objetos ou do próprio tempo das pessoas e monetizá-la, focando na experiência do serviço e não na posse de bens. Nesse momento o autor já faz a afirmação de que alguma empresas utilizam esse conceito para fins de marketing, como o Uber, dando a entender que essa empresa não faria parte dessa nova economia. Voltando para a definição que o próprio autor colocou no seu texto, o Uber não se encaixaria perfeitamente? Pessoas com tempo ocioso e que querem ganhar um dinheiro extra estão dispostos a fazer isso oferecendo uma experiência melhor para outras que necessitam se locomover pelas cidades e não desejam comprar um carro para isso.

A continuação do texto foi basicamente sobre a relação de trabalho criada entre quem presta os serviços e as empresas que criaram esse marketplace, e também sobre tentar mostrar que essas empresas operam em setores nos quais não oferecem nenhum serviço. Vamos com calma.

Imagine você iniciando uma empresa e definindo um budget de marketing e vendas. Existem duas opções. A primeira é você testar diversos canais de venda e estratégias de marketing e gastar grande parte do seu investimento inicial com isso. A segunda opção é fazer uma parceria com outra empresa, na qual ela te dá o canal pronto, com diversas ações de marketing efetivas e milhões de potenciais clientes de uma só vez. Detalhe: você só será cobrado por isso caso alguém atingido pelo marketing utilize o serviço da sua empresa. Qual você escolheria para começar a sua empresa? A minha escolha, sem dúvida, seria a segunda opção. E essa é a escolha de grande parte dos trabalhadores que oferecem seus serviços através de plataformas online. Portanto, na minha opinião, Uber e Airbnb, exemplos citados no texto, não são empresas de transporte e hotelaria, mas sim são plataformas online onde pessoas se encontram com um obejtivo específco, seja ele uma carona [paga] ou uma boa noite de sono no apartamento de um estranho. Mas essas empresas fazem mais do que só oferecer o canal de vendas, elas fazem todo o marketing para você também, e eu acho que é isso que o autor do blog não entendeu. Ele critica o fato de essas empresas se isentam das da responsabilidade inerente às atividades, sendo essas atividades, contudo, não exercidas por eles de fato.

O segundo ponto e mais criticado pelo autor é a relação entre os trabalhadores e as empresas que criaram o marketplace. Se o autor não fizesse uma crítica tão exagerada, eu até poderia concordar com um ou outro argumento dos poucos que ele utilizou. Entretanto chamar essa relação de “Escravidão 2.0” foi um absurdo. Nenhuma pessoa é obrigada a ofertar seus serviços ou muito menos precisa de uma carta de alforria para deixar a plataforma e seguir carreira solo. Pelo contrário, conversem com todos aqueles que oferecem seus serviços através dessas plataformas (eu já conversei com vários) e veremos que a esmagadora maioria está feliz. É só ver o exemplo que o próprio autor traz de uma pessoa que estava na plataforma desenvolvida por ele: “graças ao Blumpa posso dar um presente de Natal para o meu filho”. Pensar que é responsabilidade da empresa dar uma visão de longo prazo para essa pessoas não faz sentido. A proposta da empresa é dar a oportunidade para pessoas se encontrarem com um propósito comercial, não para mudar seus futuros, mesmo que no futuro a curto prazo isso seja feito como vimos no depoimento. Startups são empresas novas que estão buscando resolver um problema real e escalar, não tendo nós o direito de  colocar a responsabilidade de mudar o mundo nas costas delas. Eu acredito que com o sistema aquecido como está hoje, a união de várias propostas de valores dessas empresas nascentes dão às pessoas novas oportunidades, cabe a cada uma tirar o melhor proveito dessa situação.

No que eu concordo com o autor, é que essas relações de trabalho devem ser melhor estabelecidas e devehaver algum tipo de regulamentação. Mas isso cabe a uma discussão que vai muito além de um post de blog. Mesmo assim, não podemos deixar de notar a grande aceitação das pessoas para essas novas modalidades de empresas, o que é um indicativo de que algo está sendo feito corretamente.

Por fim, lembro que a economia do compartilhamento não é somente baseada em marketplaces que oferecem relação de serviço entre pessoas. Existem diversas outras modalidades que não caberiam em nenhum argumento utilizado pelo autor do texto. Existem empresas, por exemplo, que oferecem carros para alugar no modelo de compartilhamento, em que o objeto ocioso a ser utilizado é o carro da empresa e não de nenhuma outra pessoa.
Os benefícios dessa nova economia, baseada na colaboração e relação entre pessoas,superam qualquer dificuldade acarretada por essa inovação. Discussões como essas são saudáveis e importantes para que a maioria (a totalidade é quase sempre impossível) se sinta confortável com os termos atrelados a essa inovação.

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2 Comments

  1. Rogerio Rogerio

    Esse artigo é do fundador que tentou uma startup de economia compartilhada para faxineiras né?

    • Rodrigo Magri Rodrigo Magri

      Exatamente Rogério. Era um marketplace para aproximar pessoas que necessitavam de serviços de faxinas com aquelas que faziam faxinas regularmente.
      Você conheceu essa startup?

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