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Seul: A capital da economia compartilhada

Imagine-se acordar no seu apartamento e ser recepcionado com um café da manhã preparado pelo viajante que está hospedado no quarto ao lado. Logo depois de se arrumar você desce e vai pegar o carro compartilhado que você reservou na noite anterior para ir para o trabalho. Durante o dia a empresa de brinquedos infantis vai até a sua casa e troca aquele brinquedo que o seu filho não brinca mais por um outro que vai deixá-lo maravilhado por mais umas 3 semanas, até ele enjoar e querer outro. Para jantar, que tal um programa diferente para conhecer pessoas novas? Seu colega de trabalho te convidou para experimentar uma comida preparada por um casal indiano que está sendo oferecida em um site de compartilhamento de refeições.

Sim, essa é Seul, a capital mundial da economia compartilhada!

Desde o período pós guerra, a Coreia do Sul e principalmente a sua capital cresceram rapidamente, tanto em população quanto em desenvolvimento tecnológico. Esse crescimento expressivo trouxe alguns benefícios, mas também todos aqueles índices terríveis para uma grande cidade. Os espaços são escassos, mais de 25 milhões de pessoas moram na região metropolitana de Seul e sua densidade populacional é o dobro da de Londres e cinco vezes a de Nova Iorque, a poluição atinge níveis crescentes anualmente e a população está ficando mais velha, sendo o desemprego entre os jovens relativamente alto.

Ao mesmo tempo, a capital é referência no mundo em tecnologia, sendo que 97% da sua população possui acesso a internet banda larga e mais da metade possui smartphones.

Um prato cheio para a economia do compartilhamento!

E essa oportunidade não está sendo desperdiçada. Entendendo os problemas existentes e conhecendo o grande potencial da região, em setembro de 2012 a cidade de Seul lançou o projeto “The Sharing City” (A cidade do compartilhamento) financiado pelo próprio governo local. O objetivo desse programa é melhorar a vida dos cidadãos através do compartilhamento, otimizando e maximizando o uso dos recursos da cidade. A estratégia da cidade é mudar os sistemas e as leis desatualizadas, dar suporte a empreendimentos da economia do compartilhamento e encorajar a participação popular.

As metas traçadas no lançamento do programa eram:

  • Dar apoio público a iniciativas da economia do compartilhamento para dar credibilidade a elas e introduzir a população a esses novos empreendimentos;
  • Subsidiar 10 empresas da economia do compartilhamento;
  • Incubar 20 empresas, oferecendo escritório, consultorias, subsídios entre outros benefícios;
  • Criar uma marca mundialmente conhecida promovendo Seul como a cidade do compartilhamento;
  • Criar uma conferência internacional das cidades do compartilhamento para promover a troca de experiências entre outras iniciativas públicas;
  • Criar um comitê que envolva todos os setores da sociedade para manter constante a discussão sobre novas iniciativas para as cidades do compartilhamento.

Embora algumas dessas metas ainda não tenham sido atingidas, outras já foram superadas e trazem um ótimo retorno para a população. Um programa de compartilhamento de veículos foi lançado e mais de 1000 carros estão espalhados pela cidade. Além disso, centenas de prédios públicos foram abertos para a população em geral para eventos e reuniões durante horários que antes ficavam ociosos. A cidade também investiu em 27 empresas e organizações dessa nova economia superando a meta estabelecida, e criou a plataforma ShareHub para facilitar o encontro de qualquer coisa que possa ser compartilhada em Seul.

Com todos esses resultados positivos, a cidade agora pretende expandir o programa. Eles realmente estão levando a sério a ideia de se tornar referência na economia do compartilhamento, e o melhor é que a grande motivação da cidade é criar um senso de comunidade entre a população melhorarando a qualidade de vida das pessoas através do melhor uso dos recursos disponíveis.

Cabe nós, pessoas engajadas com a economia do compartilhamento no Brasil, espalhar o conceito e criar um ecossistema favorável para as empresas aqui, talvez não na mesma magnitude, mas com a mesma motivação vista na Coreia do Sul.

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