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Nem tudo é Uber Economia

Este é o segundo texto de uma série sobre Uberização. No primeiro texto escrevi a respeito das definições usadas para descrever o significado dessa palavra que tanto está sendo utilizada pela mídia recentemente. Hoje vamos aprofundar mais o tema e também entender porque nem tudo que se fala, nem toda startup da economia compartilhada, faz parte da Uber Economia.

Vimos que existem 4 definições mais comumente utilizadas para descrever o termo Uberização: Disrupção tecnológica, terceirização da mão de obra, plataformas Peer to Peer e a própria Economia Compartilhada como um todo. Uma grande mistura, não é verdade?

Leia também: A polêmica do Uber

Pois bem, na minha opinião a única definição que faz sentido é comparar o verbo Uberizar com o processo de inovar com um modelo de negócios baseado em uma plataforma Peer to Peer (P2P). Isso porque o Uber nada mais é que uma plataforma que une motoristas a pessoas que desejam se locomover pela cidade (conecta pessoas à pessoas). Podemos ver modelos “uberizados” em vários segmentos como: Lavação de roupas, aluguel de veículos, locação de apartamentos, entre outros. As outras três definições não refletem bem o termo ao meu ver.

Dessa forma, já podem perceber que não sou favorável a comparar Uber Economia com Economia Compartilhada de igual para igual. Quando eu falo “de igual para igual” quero dizer quem em partes elas podem ser semelhantes. Isso se deve ao fato do que já falamos aqui no Blog sobre as três grandes áreas da economia compartilhada, vamos relembrá-los?

Mercados de redistribuição: é baseado em itens que não são mais usados por uma pessoa ou empresa e passa para outro local onde ele é necessário. Reutilizar, recuperar, reciclar e redistribuir! Eu adicionaria uma outra palavra muito boa: Desapegar. No Brasil a OLX é o portal mais conhecido.

Lifestyles colaborativos: São os famosos marketplaces de pessoa para pessoa, onde todos podemos compartilhar e receber recursos como uma carona (Uber e lyft), um carro do vizinho (Turo), um quarto para dormir (Airbnb), ou um jantar entre pessoas desconhecidas (meal sharing).

Sistemas de produtos e serviços: Empresas oferecem experiências e a pessoa paga pelo uso e benefício de um certo produto e não pela posse. O serviço de compartilhamento de carros (Zipcar, Car2go) é um exemplo.

Leia também: 10 maneiras de economizar com a Economia Compartilhada

Portanto, acredito que podemos falar de Uber Economia para modelos de negócios que seguem a linha do estilo de vida colaborativo. Faz sentido, na minha opinião, falar que empresas que aderiram ao modelo Peer to Peer uberizaram algum serviço e agora elas fazem parte da Uber Economia. Novamente eu gostaria de salientar que a uberização é focada no serviço e não no produto. Isso significa que o cliente tem o benefício da utilização de algum bem (um carro como no exemplo do Uber), e, muito importante, este serviço é ofertado por outra pessoa física e não um empresa (caso contrário entraria na área de sistemas de produtos e serviços).

Mas porque ser tão enfático na distinção dessas definições?

Bom, eu acredito que toda inovação precisa ser amplamente divulgada para conseguir chegar ao grande público e ter uma chance de crescer e se firmar no mercado. Para tanto, é necessário que essa comunicação seja uniforme e clara para que todos entendam do que está sendo falado. Além disso, a Uber está constantemente sendo apedrejada com processos e polêmicas e isso pode dar uma conotação ruim para os termos Uber Economia e Uberização, levando essa má reputação para todas as outras empresas da Economia Compartilhada.

Você concorda? Deixe a sua opinião para ampliarmos esse debate.

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